domingo, 11 de dezembro de 2011

Cante alentejano, património cultural imaterial da humanidade



No Alentejo todos cantam e raros são aqueles que não sabem cantar.
Canções misteriosamente carregadas de tristeza, mas sempre cheias de filosofia popular, que prendem à terra ou ao amor, ao lirismo dos montes e da solidão dos campos. Canções que exprimem sentimentos, como a melancolia, os anseios, as saudades, a alma expressa na lembrança da terra e dos lugares onde se nasceu.

A maioria das canções são tristes, mas podem também ser alegres, irónicas ou até humorísticas, mas são sempre uma extraordinária fonte lírica, onde as vozes trémulas e vibrantes, vindas do mais fundo do ser humano, ostentam céus extremos, campos de trigo e de estevas.  As suas origens não se conhecem bem, embora se pense que poderão vir tanto do canto gregoriano como do árabe.  

São estas canções de camponeses, que se têm perpetuado de geração em geração, que definem a alma do povo alentejano e, de certa forma também do povo português, e que hoje, se continuam a cantar nas associações ou nas tabernas e cafés, ou em qualquer lugar desde que haja vontade.
 Por isso, e bem-haja a todos os intervenientes, a candidatura do cante alentejano a “património cultural imaterial da humanidade” será apresentada a 30 de Março de 2012, na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em Paris (França).
A ideia da candidatura partiu de um desafio lançado ao presidente da autarquia de Serpa, João Rocha, pelo embaixador Fernando Andresen Guimarães, ex-presidente da Comissão Nacional da UNESCO, aquando da preparação da candidatura desta cidade à Rede de Cidades Criativas da UNESCO, no tema Música".
A Confraria do Cante Alentejano, a Casa do Alentejo e a Associação MODA são os promotores desta candidatura liderada na comissão de honra pelo presidente da República, Cavaco Silva, da qual fazem parte também: o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o bispo do Porto e presidente da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais, D. Manuel Clemente, o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Rui Vilar, e o comendador Rui Nabeiro. A presidir à comissão científica está o musicólogo, Rui Vieira Nery,
Vários documentos irão ser apresentados, estando prevista a elaboração de uma recolha e estudo do cancioneiro e discografia do cante alentejano, a inventariação e caracterização dos grupos corais e uma compilação ilustrada de histórias de vida de cantadores e de grupos corais.
Enquanto isso não se faz, recomendo, desde já, a leitura da obra de José Francisco Pereira  intitulada “Corais Alentejanos” (Edições Margem,1997). Este primeiro trabalho de recolha e de reflexão sobre a problemática do “Cante Alentejano” serviu de suporte e motor do “Congresso de Cante Alentejano”, realizado, em 1997, em Beja.
E, como bons alentejanos que somos, também podemos contribuir para a divulgação da nossa cultura. Eis o link do manifesto do Cante alentejano, que podem subscrever http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N17409.






E a minha sugestão de hoje, para desejarmos boa sorte a esse lindo projecto, que tal saudarmos esta iniciativa com um delicioso licor de bolota?  

LICOR DE BOLOTA


Ingredientes
1 l de aguardente
300 g de bolota de azinheira
800 g açúcar
6 dl água
3 cascas de limão
Filtros para licor
Descascar bem as bolotas e pisá-las ligeiramente. Deitá-las num frasco de boca larga e acrescentar a aguardente. Rolhar bem.
Deixar de infusão durante cerca de um mês, agitando a mistura de vez em quando.
Pôr ao lume o açúcar, as cascas de limão e 6 dl de água.
Depois de ferver, deixar cozinhar por mais cerca de 4 a 5 minutos em lume brando.
Deixar arrefecer e misturar essa calda com a aguardente coada.
Deixar repousar durante umas horas, e filtrar o licor para dentro de garrafas, às quais poderá acrescentar 2 ou 3 bolotas lavadas. Guardar as garrafas bem tapadas.   

Um delicioso licor para a consoada de Natal.


Saúde!
Ao cante alentejano e principalmente à cidade de Serpa por ter aceite este  desafio. E agora, o Grupo Coral e Etnografico da Casa do Povo de Serpa.


 

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