domingo, 12 de fevereiro de 2012

Dia do Namorados _ Mariana Alcoforado_ barriga de freira


Dentro de poucos dias festeja-se o S. Valentim ou o Dia dos Namorados, uma data em que os apaixonados aproveitam para declarar a sua paixão aos seus amados.
Se bem que esta data tenha sido importada de outros países, no Alentejo também se festeja o amor. Os Alentejano são um povo de poetas e artistas que sempre souberam cantar a sua paixão pelo ser amado ou mesmo pela sua terra. A literatura está cheia de exemplos, mas também as letras do cante alentejano traduzem bem esta capacidade de amar que tem o Alentejano. Um dos mais belos e conhecidos exemplos foi o amor que Sóror Mariana Alcoforado dedicou ao capitão francês Noel Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, oficial francês que lutou em Portugal sob as ordens de Frederico de Schomberg, durante a Guerra da Restauração.

Nascida em Beja, em 1640, Mariana Alcoforado é obrigada a entrar muito nova para o Convento de Nossa Senhora da Conceição (Beja) a fim de escapar ao conflito da guerra com Espanha. Ali, passa os dias à espera de regressar à vida real.

Um dia, ao observar através de uma janela (Janela de Mértola), as manobras do exército, vê passar um oficial francês.

Uma troca de olhares é suficiente para desencadear nela uma paixão avassaladora. Mariana secretamente abre a sua cela ao oficial francês e deixa-se levar por um amor louco e ardente. Esta relação dá que falar e o militar tem de regressar a França para evitar o escândalo. Mariana escreve-lhe cinco longas e apaixonadas cartas, nas quais passa da esperança e fé, à exaltação, tristeza, desencanto e desespero, causados pelo silêncio do militar que teme em não lhe responder.
Mariana morre em Beja, em 1723.
Em 1669, as suas cartas são publicadas em Paris, e rapidamente transformam-se num dos maiores sucessos da literatura universal.   O tema das cartas da freira portuguesa constitui um documento raro de experiência humana, com uma intensidade tal que não desapareceu ao longo dos séculos.



Se bem que a autoria das cartas tem sido muito contestada, e atribuída a Lavergne de Guilleragues, o amor de Mariana Alcoforado tem inspirado inúmeros escritores e até pintores, e tem sido alvo de adaptações para teatro e cinema.




Para mais informações sobre Mariana Alcoforado veja: http://www.museuregionaldebeja.net/sorormarianaalcoforado.htm


Como as cartas são muito longas, transcrevo aqui apenas um pequeno excerto da primeira que escreveu:
“Considera, meu amor, a que ponto chegou a tua imprevidência. Desgraçado!, foste enganado e enganaste-me com falsas esperanças. Uma paixão de que esperaste tanto prazer não é agora mais que desespero mortal, só comparável à crueldade da ausência que o causa. Há-de então este afastamento, para o qual a minha dor, por mais subtil que seja, não encontrou nome bastante lamentável, privar-me para sempre de me debruçar nuns olhos onde já vi tanto amor, que despertavam em mim emoções que me enchiam de alegria, que bastavam para meu contentamento e valiam, enfim, tudo quanto há? Ai!, os meus estão privados da única luz que os alumiava, só lágrimas lhes restam, e chorar é o único uso que faço deles, desde que soube que te havias decidido a um afastamento tão insuportável que me matará em pouco tempo”.


E agora para nos recompor de palavras tão profundas, e porque o amor não tem de ser amargo, deixo aqui uma receita conventual, para adoçar a boca da sua cara metade.
Não sei se terá sido inspirada na barriga de Mariana Alcoforado, mas que isto nos reconforta a alma e a "barriga" isso não tenho a mínima dúvida. Bom proveito!

BARRIGA DE FREIRA À MODA DO ALENTEJO

Ingredientes:250 g açúcar
75 g amêndoas peladas
6 ovos
70 g miolo de pão
20 g manteiga

Pôr o açúcar com um pouco de água até fazer ponto de pérola. A calda deverá escorrer da colher em fios terminando numa pérola.

Entretanto, ralar as amêndoas e depois o miolo de pão. Misturar muito bem os dois com os ovos. Juntar ao açúcar em ponto de pérola.

 

Deixar ferver, em lume brando, até que os ovos prendam. Colocar a manteiga em redor do doce e deixar cozer uniformemente rodando a frigideira. No final, polvilhar com canela (facultativo).



E aqui está algo que o vai ajudar a seduzir o seu (sua) amado(a).




Um dos intérpretes que mais tem cantado o Alentejo é Vitorino. Vamos ouvi-lo com a sua Menina está à janela. Aumente o som, feche os olhos e cante com ele.



(vídeo )


Não se esqueça que "O amor é o segredo da vida que traz consigo todas as outras virtudes", como a de saber apreciar e dar valor àqueles e àquilo que nos rodeia, às nossas raízes e cultura.
Por isso, nesta celebração do Dia dos Namorados , atrevo-me a dizer:       

Amo-te Alentejo!

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